sábado, 26 de novembro de 2016

Comics de Avatar - O Último Dobrador de Ar

[ATUALIZADO - 26/11]

Saudações do Crítico Nippon!

Por volta de 5 anos após o término de O Último Dobrador de Ar, e já com A Lenda de Korra se encaminhando para o final, foi lançado o primeiro volume de histórias que se passam após a guerra de 100 anos. Iniciou com a trilogia The Promise, seguido da The Search, e The Rift, esse ano se conclui a Smoke and Shadow, e já está planejado para o ano que vem a conclusão da North and South. A intenção desse post é ser uma compilação de críticas destas obras que continuam um dos melhores desenhos de todos os tempos.


(NÃO contém spoilers)
(Meus textos anteriores aqui e aqui)



The Promise

As chances de The Promise dar errado eram imensas. Primeiro porque contava com um novo roteirista; segundo porque foi feito após algumas temporadas de Korra, que é um festival de erros e absurdos; terceiro porque, como explicado em meus textos anteriores, as três temporadas de Aang foram friamente calculadas, com início, meio e fim. Como justificar mais (além do óbvio $)? Como não ser influenciado por sua péssima predecessora em andamento? Como manter tantos personagens complexos fiéis em sua essência e conflitos particulares?

Pois o “como” é o de menos, o que importa é que o brilhante roteirista Gene Luen Yang acerta em todos os aspectos possíveis (sempre auxiliado de perto pelos criadores Bryan Konietzko e Michael Dante DiMartino). Não há toques “autorais” dele, nem “sua marca” na história. Não, não, é como estar acompanhando uma continuação direta do desenho, que soa como se tivesse sido lançada imediatamente após o término da série.


A trama se passa um ano após os acontecimentos da animação: o Avatar Aang e o Senhor do Fogo Zuko trabalham em conjunto com o Rei da Terra Kuei para remover as colônias da Nação do Fogo do Reino da Terra, através de uma ação que intitulam de Movimento de Restauração Harmônica. Porém, não é algo que dependa exclusivamente da vontade deles, visto que seus moradores são pessoas com vontade própria e vidas estabelecidas através de gerações. É quando Zuko, tocado pela vida pacífica que seu povo leva no Reino da Terra, decide ir contra o Movimento de Aang e Kuei. É aí que seu amigo do ar entra num profundo dilema de como lidar com o do fogo, afinal, sua missão sempre será manter as 4 nações em equilíbrio. E Kuei não facilita o impasse da situação, resolvendo usar a força para exigir que os “invasores” de seu Reino sejam retirados.


E esse resumo, por si só, já demonstra um prato cheio para conflitos (internos e externos) e reflexões que refletem absurdamente com o mundo atual: colonizadores e colonizados. É um assunto extremamente complexo e abrangente, e seus autores demonstram um cuidado delicado e sério ao tratá-lo. Deste modo, Sokka e Toph cumprem o importante papel de trazer leveza e descontração a uma narrativa constantemente sombria nos dilemas de seus personagens. E só de Gene Luen Yang ter acertado o timing cômico impecável de Sokka, já demonstra o seu talento inegável.



The Promise encontra até tempo para explorar a perplexidade de problemas menores que os da trama maior. Se a escola de dobradores de metal de Toph e o fã clube do Avatar podem soar como pequenas encheções da trama, ao menos se transformam em micros novos dilemas. Como, por exemplo, Toph percebendo estar se transformando nos seus pais; e o debate de ‘cultura versus diversão’ que Aang infla até demais.

Aliás, é um verdadeiro prazer notar rimas narrativas como Sokka, Toph e Suki voltando a agir juntos contra a Nação do Fogo, como ocorreu no Cometa Sozin. E lembranças valiosas de que Katara é muito mais habilidosa com água do que seu namorado. Aliás, tanto ela (como dobradora de sangue) quanto Toph (como dobradora de metal) são superiores ao Aang em suas respectivas dobras. Um detalhe valioso que um anime, por exemplo, jamais admitiria (ainda mais na figura de mulheres).

Entretanto, o que eleva a trama de The Promise ao patamar de igualdade com seu arco original, é mesmo o debate do pós-guerra. E como eu já havia destacado em outro texto, O Último Dobrador do Ar cria personagens tão humanos, com tantas facetas, que vê-los mudando de lado e opinião é algo que soa extremamente natural. E isso acontece com – e não estou exagerando – praticamente todos os personagens principais.

Com destaque, claro, nas figuras de Aang e Zuko. O primeiro por acreditar que o mundo precisa necessariamente estar dividido rigidamente entre nações. O que acaba por cegá-lo para inúmeros outros aspectos que deveriam ser ponderados antes de qualquer atitude, tornando o Avatar uma figura autoritária (e ver o diálogo “Precisamos separar as nações para restaurar a harmonia!” é assustador em sua incompatibilidade). 
















Do outro lado, o ex-príncipe, atual Senhor do Fogo, Zuko. Que busca na figura de Ozai um direcionamento para lidar melhor com as duras decisões que precisa tomar como governante. Afinal, o pai é o único que viveu naquela posição. E os encontros entre ambos na prisão são alguns dos momentos mais fascinantes da história. Zuko lamenta imensamente por Aang ter poupado o seu pai, ao mesmo tempo em que não para de encontrá-lo. É uma ambiguidade que só o torna mais humano, comovente e, por que não, trágico. E quando este toma a decisão que provavelmente o seu pai tomaria, torna-se praticamente impossível condená-lo devido a construção cuidadosa que a história manteve de justificar completamente suas ações. O que não muda o fato que, sim, seria a decisão de Ozai, o grande vilão de toda série anterior...


Ou seja, é a decisão certa ou errada? E quem decide isso? Quem julga isso? Com que autoridade? Todos parecem agir genuinamente por motivos nobres e altruístas. E, mesmo sem querer, um acaba oprimindo o outro de uma certa maneira. E a história não tomar partido com nenhum lado (tem o lado do rei Kuei, lembrem-se, que vê seu Reino da Terra repleto de colônias daqueles que eram os grandes inimigos do mundo há um ano) é um acerto fundamental.

Contando com um design absolutamente fascinante, é um verdadeiro presente ver a mescla de culturas e cores das colônias do Fogo em solo da Terra. E o roteiro acerta também ao enfocar no carinho que aqueles habitantes sentem pelo seu lar e as justificativas que os levam a querer continuar ali. E a página dupla em que o desenhista homenageia as artes chinesas da guerra é de tirar o fôlego e digno da obra em questão.


Conseguindo segurar a incerteza da resolução até o último instante, a história prende a atenção com maestria e segurança. E as resoluções finais de Aang para com seu antepassado Roku, e Zuko para consigo mesmo, são imensamente emocionantes. Demonstrando assim, mais uma vez!, um crescimento admirável entre esses dois personagens. E a página final, que retoma peças que podem auxiliar no paradeiro da mãe de Zuko, é de tirar o fôlego em suas possibilidades e fecha com chave de ouro.



The Search

O Último Dobrador de Ar é realmente uma obra-prima. E esta trilogia The Search consegue o milagre de ser ainda melhor que a The Promise. A trama possui foco absoluto em sua premissa, sem dispersar como acontecia na anterior com a escola da Toph e o fã clube do Avatar. É uma obra que expande a mitologia através de flashbacks extremamente orgânicos e fluídos, como se tudo tivesse sido planejado desde o início de tudo (não inventado 5 anos após o término do desenho, por um terceiro roteirista). É a comprovação inequívoca da força de seus personagens, de seu universo e lacunas que nem sabíamos que poderiam ser preenchidas com tanta riqueza.


A trama se passa imediatamente após The Promise. Zuko está em busca do paradeiro de sua mãe. Para isso, decide pedir ajuda a nada menos que sua irmã, Azula, que se encontra internada e, bem, louca. Ela é a única que Ozai conversaria com seriedade, podendo ceder alguma informação. Além disso, os amigos do Senhor do Fogo, o Time Avatar, também se unem na empreitada.


Um dos pontos mais fascinantes desta trilogia, e que já havia sido alimentado na anterior, é a expansão de seu universo utilizando elementos que eram mencionados de forma trivial na obra original. Assim, resgatam falas de Zuko no episódio “The Ember Island Players” que conta que a mãe o arrastava para assistir uma peça, e dão um significado a isso; a máscara que ele usava como Espírito Azul ganha nada menos do que duas justificativas; falas do episódio “O Avatar e o Senhor do Fogo” que mencionavam vagamente um parentesco de Zuko e Roku; a trágica lembrança mencionada pelo príncipe, de seu pai falando “Ela nasceu com sorte e você teve sorte de ter nascido”, agora ganha um contexto; a participação de Ursa (nome da mãe do Zuko) na morte de Azulon, pai de Ozai, antigo Senhor do Fogo, algo que foi muito vagamente mencionado em “The Eclipse”. Em suma, é um cuidado tão apurado, em lacunas que nem sabíamos se tratar de lacunas, que rendem histórias enriquecedoras. Refletindo na tridimensionalidade de Ozai, Zuko, Azula e, a mais importante, Ursa. 


E que figura excepcional temos nesta mulher. Em meus textos anteriores, já elogiei fartamente as personagens femininas de Avatar. Deste modo, é um enorme prazer acompanhar o desenvolvimento de mais uma para galeria. A linha temporal presente (com a tal “busca” título) é intercalada com flashbacks em que acompanhamos toda sua trajetória. Desde sua juventude como atriz, junto do namorado; passando pelo casamento forçado com príncipe Ozai; a vida oprimida que levava mesmo como primeira-dama; seus jogos intelectuais com o marido, demonstrando inteligência, coragem e um poço de amor.


Essa história paralela, aliás, serve de combustível motivador para compreendermos os esforços de todos em encontrar aquela mulher. Consequentemente, o leitor percebe e entende o quanto ela “merece” ser resgatada, por assim dizer. É tocante, por exemplo, vermos tio Iroh explicando a Aang a importância de resolver esse caso tanto para Zuko quanto para própria Azula, para que encontrem um pouco de paz. Isso traz uma humanidade ainda maior para ambos. Desta forma, temos a chance de ver um vislumbre de Iroh como Senhor do Fogo Interino na ausência do sobrinho. E acreditem, seu primeiro comando como tal faz jus a doçura do personagem. Aliás, as gags continuam extremamente inspiradas na figura de Sokka. E minhas favoritas são as sequências de “A natureza te odeia” ao longo da trilogia.


 Entretanto, a força de The Search gira em torno de laços familiares. E que família essa da Nação do Fogo: Zuko, com todos os seus conflitos internos; Ozai preso; Azula numa instituição mental; Ursa desaparecida. Peças não faltam para criar interações extremamente fascinantes. Assim, se no desenho a personagem que mais me deixava tenso era Azula e suas amigas, um dos maiores acertos da HQ reside justamente na coerência desta. A personalidade de Azula, como acertadamente mencionou o roteirista, varia entre calma e louca. Sua instabilidade emocional gritante, seu papel de “agente dupla”, sempre prestes a trair e atacar o Time Avatar, é fundamental para a tensão absoluta da narrativa. Azula não é uma aliada, nem perto disso. É simplesmente alguém que tem a informação que precisam e, diferente de Ozai, tem motivos para também querer correr atrás.

Tanto Aang, quanto Katara, Zuko e até Sokka são obrigados e tentar contê-la em momentos distintos da história (mais de uma vez!). 

Adentrando em temas familiares com segurança e cada vez mais complexos, vemos paralelos tocantes entre irmãos, como Sokka-Katara e Zuko-Azula. E que saudades da interação entre Zuko e Sokka, que já havia rendido grandes episódios na série. Mais tarde, conhecemos também dois irmãos da Tribo da Água, Rafa e Misu, que sacrificaram a vida inteira um pelo outro. Mais uma terceira relação entre irmãos que mostra a que ponto essa devoção pode levar, com uma pitada a mais de tragédia e azar.


Porém, não para por aí. Há um interessante impasse que põe em xeque o real parentesco de Zuko e Ozai, levando o garoto a questionar o seu lugar ao trono e todo tipo de crueldade que sofreu na vida. E somente uma história com seriedade absoluta em sua mitologia, poderia criar diálogos como “O trono é o meu destino” sem soar clichê ou prepotente. É o tipo de diálogo (“seu destino”, “o escolhido”...) que raros os filmes conseguem fazer funcionar de maneira eficiente. Deste modo, esses novos questionamentos do jovem Senhor do Fogo, rendem diálogos inspiradores e emocionantes entre ele e o amigo Avatar (pra variar). Ainda que Aang tenha falas bastante pertinentes, nosso envolvimento com Zuko é tão grande que compreendemos perfeitamente seus receios e dúvidas. Ele deve se manter Senhor do Fogo para agradar ao povo que busca uma nova era de paz, ou se concentrar no que realmente quer e o faria feliz como pessoa? Passagens muito semelhantes ocorriam em The Promise. Como responder a esse tipo de questão? Eis a mágica (leia-se: tortura) d’O Último Dobrador de Ar.


Resgatando itens até mesmo da Lenda de Korra, Yu Dao é uma cidade muito próxima do que seria a Cidade República, incluindo até mesmo a comprida mesa do Conselho. The Search também resgata aqueles mecanismos específicos de cada nação que já mencionei em meus textos anteriores, como o quadro-passagem-secreta que só abre com chamas. E se na série original tínhamos Koh, o Ladrão de Faces, como o espírito mais fascinante e assustador de todos, os artistas aqui conseguem criar uma equiparável. A Mãe das Faces desperta aquele mesmo tipo de fascinação mística e aterradora que o seu filho, desde já se imortalizando na mitologia Avatar.

E Korra, que é um festival de espíritos até demais, não conseguiu criar um único memorável.

Com brincadeiras pontuais nos cantos dos quadros, como Sokka correndo para abraçar Suki ao fundo; Aang e Katara se beijando ao mesmo tempo em que os atores da peça; Zuko interagindo com uma garotinha. E os vestem novamente com as roupas da Nação do Fogo, não apenas como nostalgia, mas afinal, se trata de uma trilogia que gira em torno especialmente da família de Zuko. Todos estão “mergulhados” naquele drama.


Com um encerramento comovente, esperançoso e profundamente tocante, The Search é um dos pontos mais altos de toda série d’O Último Dobrador de Ar. Fechando com maestria ao revelar uma ligação com o início (pista e recompensa), é uma história que encerra essas duas trilogias como um todo. Embora ainda deixe pequenas pontas soltas para serem trabalhadas futuramente, The Promise e The Search são absolutamente obrigatórias para qualquer fã da sempre surpreendente e inesquecível mitologia Avatar.



The Rift

Temos que admitir, The Rift carregava uma tarefa extremamente ingrata. Após um excelente The Promisse e uma verdadeira obra-prima em The Search, os autores colocaram o patamar lá em cima. E como já era de se esperar, ficou um pouco alto demais para esta trilogia seguinte.


Apesar de ser uma continuação direta, iniciando com a renúncia do tio Iroh como Senhor do Fogo Interino, a trama poderia se passar em qualquer momento em termos de linha temporal. Acertadamente deixando Zuko de lado (ele não aparece nenhuma vez. Também, depois de quase duas trilogias como um dos protagonistas...), o foco agora é em Aang e Toph. O Avatar parte com seus acólitos (espécie de seguidores dos costumes do “Ar”) para celebrar um feriado dos Nômades do Ar. Por alguma razão, Toph, Sokka e Katara vão juntos. Eles descobrem que o local não é mais o mesmo de, bem, cem anos atrás (duh) e agora é habitado por pessoas do Reino da Terra e suas fábricas poluentes. Em algum momento eles irritam algum espírito maligno. Ah, e Toph reencontra o pai dela (calma, isso é revelado na contra capa). E um pseudo interesse romântico para ela. E os aprendizes dobradores de metal dela voltam.  Ah, e Katara encontra umas conhecidas da Tribo da Água.

Pela descrição acima, não é difícil compreender como os esforços do roteirista Gene Luen Yang foram sabotados. Basta ler as sinopses das trilogias anteriores neste post, e é possível ver uma trama bem definida com personagens idem. Aqui não, colocando na história diversas gordurinhas e nada que realmente se destaque. Sim, nem mesmo a relação de Toph e seu pai, cujas conversas são constantemente adiadas, interrompidas e, quando acontecem, breves e artificiais. O que foram aqueles flashbacks amadores repetindo a fala “Porque é assim que as coisas são”? É uma pena que tenham ido pelo caminho certo (tema familiar), mas aos trancos e barrancos.

Sequer Sokka funciona muito bem de início, com as insistentes gracinhas envolvendo o vegetarianismo. Ganhando um pouco de ajuda no quesito, os acólitos do ar são levemente divertidos. Sem cair para o clichê dos três patetas ou crianças aborrecidas (cof Korra cof), o garotinho que fica triste ao perceber que não quebrou novas regras é divertido o bastante em suas aparições.E, claro, a volta do comerciante de repolhos é uma aparição mais do que bem-vinda.


Sokka e Katara parecem terrivelmente perdidos na história. E é surreal terem colocado umas velhas conhecidas da dobradora de água, aparecendo em dois quadrinhos no primeiro volume, dois quadrinhos no segundo, e dois quadrinhos no terceiro. E todas vezes em que retornavam eu pensava “ah, é verdade, elas existem, tinha esquecido”. Claramente os irmãos só estão ali para cenas de ação burocráticas com os nossos velhos conhecidos, Rough Rhinos. Extremamente repetitivas, os lutadores param, se reagrupam, dão um tempo, vão conversar com outros personagens, voltam, lutam de novo, pausa, e fica nesse loop sem tensão alguma.

Com um problema grave de ritmo, The Rift não sabe intercalar seus diversos núcleos, pois não há muito o que contar em nenhum deles, passando de um para outro com cortes abruptos demais. De qualquer modo, a obra conta com alguns bons momentos. É interessante quando os maiores conflitos são discussões entre Aang e Toph, dilemas entre aqueles que sempre víamos lutando do mesmo lado na série original. Essa era a grande força das trilogias anteriores, a divergência de visões. É surpreendente quando Aang fala “Eu tenho que mostrar aos espíritos que sabemos preservar e proteger!” e ouve acertadamente como resposta “Fará isso destruindo tudo que essas pessoas construíram?!”


Deste modo, quando resolvem colocar forças externas contra os heróis, temos quase uma cópia do abominável final da segunda temporada de Korra (embora relativamente melhor). Os espíritos na mitologia Avatar só funcionam como auxiliares de uma trama maior, não como trama em si. Percebam, por exemplo, o lobo gigante e a Mãe das Faces em The Search. Eram ferramentas em um contexto, não um fim em si mesmo. O que não é o caso do General nesta trilogia. Aliás, a única batalha que desperta algum interesse – e não quero revelar muito – obriga Aang a lidar com certo tipo de dobra que ele não domina.

Com desenhos e cores cada vez mais ambiciosos, ao menos esteticamente a trilogia não perde em nada das anteriores. Desde o clímax chuvoso com o grande espírito imponente, passando pelo belo quadro em que três dobradores diferentes trabalham em um fábrica simultaneamente. E o flashback dentro do flashback ser feito com um design diferente de tudo é um cuidado que revela um preciosismo admirável.


A obra não cria qualquer arco para o possível romance de Toph (que não soa sequer como um, mas uma tentativa de) ou mesmo um conflito mais ambicioso com o pai dela. Há também a relação do engenheiro-interesse-da-Toph com o tio dele, que é o personagem mais unidimensional que me vem em mente de todo universo Avatar (tenho certeza que em Korra deve ter uns dez iguais, mas graças a deus eu esqueci). É aquele personagem que sai agarrado nos sacos de dinheiro pelo monstro gigante, sem se preocupar com a própria vida. Sim, conseguiram colocar um desses...

The Rift cria discussões interessantes sobre passado e futuro, manter tradições ou se transformar. Isso nas personas de Aang, que perdeu todos do seu passado e busca sempre encontrar algo que o conecte a ele, e Toph que vive fugindo do seu. E as novas reconciliações de Aang para com seus avatares antecessores sempre rendem momentos lindos. De qualquer forma, resta esperar que esta obra seja apenas uma fenda (com o perdão do trocadilho) que ficará levemente apagada depois de duas obras impecáveis, e que Smoke and Shadow (com Zuko na capa!) retorne à boa forma com força total. 





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Twitter: @PedroSEkman

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