quarta-feira, 19 de outubro de 2011

[+18] Yoju Toshi: Wicked City



É correto começar esse texto falando que Yoshiaki Kawajiri é um dos diretores de animação mais aclamados no Japão e conhecido no ocidente principalmente por sua obra máxima, Ninja Scroll – bastante conhecida e popular nos EUA. Sua característica maior é a obscuridade e a violência que imprime em suas obras, foi assim com o já citado Ninja Scroll, Vampire Hunter D: Bloodlust ou Demon City Shinjuku. Em sua filmografia, a erotização e algo de ficção cientifica são elementos que se encontram facilmente, o que certamente não o leva a ser uma figurinha da calçada da fama. Wicked City é seu terceiro trabalho, logo após se aventurar no experimental Neo Tokyo e certamente foi o filme que elevou o nome de Kawajiri a grande critica japonesa.


“Vivemos numa era em que nossas cidades são como corpos blindados de aço e concreto. Computadores, satélites e redes eletrônicas funcionam como sua mente, Como seu cérebro. Ainda assim, isso não muda o fato de que existem fenômenos estranhos e situações que desafiam a razão e a lógica. A maioria de nós simplesmente ignora o inexplicável e o misterioso. Preocupados apenas em sobreviver ou perseguir prazeres, preferimos fechar os olhos ao bizarro a encara-lo como algo real. Mas há um mundo escuro e horrendo, coexistindo em equilíbrio com o nosso. Um mundo em que o mal, não é apenas um conceito moral. Ele vive. Hoje, esse equilíbrio será ameaçado.”


Assim começa a história de Wicked City (originalmente, Yoju Toshi), que se passa no final do século XX, explorando a ideia da coexistência entre humanos e criaturas, muitas vezes demoníacas. Ao contrário de Devil Lady por exemplo, aqui, ambos tentam conviver harmoniosamente devido a tratado de paz entre humanos e demônios a muitos séculos atrás. Obviamente, há infratores que desobedecem as regras, tanto de um lado, quanto de outro. Apesar da coexistência, há uma fronteira dividindo ambos os “mundos”, sendo que o local onde as criaturas malévolas vivem é chamado de “Mundo Negro”. Para proteger a barreira, há agentes do mundo humano e do mundo negro e assim somos apresentados ao nosso protagonista musculoso e viril, o “Black Guard” (assim são denominados os agentes) Renzaburo Taki, 25 anos, solteiro e paquerador – capaz até de levar pra cama até adoráveis demônios do sexo feminino.


Essa é a premissa básica e já digo que esperar por um grande desenvolvimento é besteira, há apenas o suficiente pra entreter durante os 120 minutos e nem ver o tempo passar. O segredo da premissa está no fato de que a cada centenas de anos, o tratado entre ambos os mundos deve ser renovado para que não entrem em um guerra sangrenta. Para isso, Giuseppe Mayart, um diplomata do mundo negro, vivo a mais de 200 anos, precisa ser levado em segurança até o local onde deverá ocorrer a renovação do tratado. Para isso, é designado para garantir sua segurança, Renzaburo Taki, que vem cantando: “Moreno alto, bonito sensual, talvez eu seja a solução dos seus problemas, carinhoso, o amante profissional” – Okay, não levem isso a sério e eu nem sei se é mesmo assim a tal música lá dos anos 80, mas simplesmente não resisti (rs).  


Bom, o Taki ganha como parceira a bela e atraente Makie – e tão misteriosa quanto, onde o que sabemos é apenas que ela é um demônio do lado negro e costuma trabalhar como modelo. Uma importante ressalva é que ambos são agentes secretos e possuem uma identidade dupla. Percebemos ai que o desenvolvimento dos personagens se dá brevemente, através de diálogos. A partir dai, o filme nos oferece umas boas sequências de ação e nos enganando, fazendo com que pensemos que se trata apenas de um filme típico de guarda costas só que com demônios, mas em certa altura do campeonato ele começa umas reviravoltas que dependendo do seu grau de moralismo, pode ser algo não muito agradável.  Além de que, o final eu considero como uma grande trolada – e NÃO, não estou dizendo isso de forma negativa e nem tão pouco positiva, é apenas uma observação.


O que me atraiu em Wicked City, nem foi o fato dele ser dirigido por Yoshiaki Kawajiri, mas sim por ser uma animação de horror com pitadas de neo-noir, produzido no longínquo ano de 1987 e nem é segredo meu fascínio por séries desse gênero, certo? E os mais antigos são os que abordam melhor a temática e dizer isso, acaba sendo uma contradição com os meus ideais, mas whatever. Podemos descrever Wicked City como um thriller erótico, pois apresenta boas doses de sexo, implícito, claro, mas acaba que são cenas muito mais impactantes do que todas as cenas de sexo escrachado da série Kite, por exemplo. Estupros e torturas proporciona um verdadeiro confronto moralista e ideológico, mas isso dependente do nível individual de cada um, sendo que esse choque de valores normalmente já não aflige mais quem já ultrapassou a linha.



A Makie é uma heroína deflorada. Quer dizer, ela é estuprada e torturada pelos ex-companheiros por tê-los traídos e o diabo a quatro. O que acaba descontruindo toda a imagem de mulher durona e independente que ela apresentava. Não nego que me senti um pouco traída, mas já é algo bem natural no gênero de horror exploitation, que tem além do intuito de chocar e confrontar valores, ao mesmo tempo reforça uma crença de subordinação do sexo feminino. Estou viajando? Deixando meu lado menininha feminista~zinha tomar conta do raciocínio? Oh, bem, digo apenas que não posso evitar refletir sobre tudo isso. Olhando por essas nuances, vemos que o horror e o moe, são gêneros que realmente dificilmente se misturam e quando há um encontro, o que sai é algo como Madoka Mágica. A pureza idealizada das mocinhas do moe VS a devassidão feminina no horror. E essa aceitação espontânea de que suas garotas não precisam ser virgens e nem intocadas, é bem ressaltado no fato de Taki aceitar a Makie como sua princesa dos contos de fadas, mesmo a tendo presenciado sendo violentada por diversos maníacos.



Não é um hentai e se distância bastante do que Kite faz, mas veja que há várias insinuações implícitas, a primeira é quando Makie é pega por um monstrengo com tentáculos e o que se presencia, eu não preciso nem descrever já você ai deve ter mais de 14 anos de idade. Outro detalhe interessante é a mulher aranha (!), que tem a vagina em forma de boca (!) toda dentada. Okay, vou parar de comentar essas barbaridades.  Wicked City como toda série que bebe na fonte noir, se propõe a ser sério, mas ainda assim é divertido involuntariamente em algumas passagens. Sendo um filme do final da década de 80, não se espera muita qualidade técnica, porém a animação para algo da época é ótima e com um bom jogo de iluminação, mesmo sendo um filme quase que predominantemente escuro. As cenas de ação são bem produzidas, apesar de que poderia haver muito mais, além de passarem rápidas demais.


Eu disse, a história se desenvolve de forma básica, o filme apresenta um roteiro raso, mas tudo se desenvolve de forma dinâmica e quando você olha o tempo já passou. Mas ainda assim, definitivamente não é algo que vá agradar a todos, consulte ai o seu gosto pessoal. Wicked City é de certa forma, um clássico obscuro, que veio parar aqui no Brasil em 19xx sabe-se lá quantas, quando ainda estava na moda as jurássicas e pré-históricas VHS. O filme veio com o nome “Poderes Eróticos” – vemos ai que os estúdios brasileiros desde sempre possuem um bom gosto em escolher nome de séries animadas. O filme é descrito por aqueles que presenciaram tal feito na época, como uma animação desbravadora, que colocou contra a parede os puritanos e uma falsa crença sobre desenhos animados terem que ser, incontestavelmente, algo para o publico infantil. Então, dá pra imaginar o choque.



Wicked City originalmente era pra ter sido um curta metragem de 35 minutos, mas os produtores da “Japan Home Video” (JHV) ficaram tão maravilhados com o conteúdo desenvolvido por Kawajiri, que resolveram esticar e transforma-lo de uma vez em um longa de animação. Adaptação de uma novel de Hideyuki Kikuchi, Wicked City é apenas mediano, mas isso não é demérito, uma vez que ele consegue te entregar aquilo que promete, 120 minutos de animação despretensiosa e certa diversão. No fim, o filme é uma grande trollada e sei lá se isso é bom ou ruim, mas eu consegui curtir e a história ganha ares de "menininha" e “romance~zinho”, coisa que acho legal. “Quem sabe eu ainda sou uma garotinha, esperando o ônibus da escola....”

Um dialogo antológico pra encerrar, daquele que é a versão Metre Kami de Wicked City: 

"Você ja ouviu falar do que acontece com quem dorme com elas? Se tornam mortos-vivos depois que seus fluídos vitais são sugados. Mesmo assim, muitos ainda querem fazer sexo com elas. Sabe por quê? ... Pelas sensações... As pesoas entram num êxtase tão incrível que faz o sexo humano parecer lixo."





7 comentários :

Carlírio Neto disse...

Saudações --- não estranhe, pois estou comentando do celular --- Cuidado, amiga Roberta. A tecnologia do VHS teve seu auge até o início dos anos 2000, mas concordo que seja bem antiga mesmo, hehe... Inclusive, tenho um aparelho VHS de 2001 que funciona muito bem ainda, rs... Sobre a história em si, devo dizer que acho ela bem rasa também. Mas a forma como ela se desenvolve é mesmo muito chamativa. Detalhe: assisti em um evento de anime em 2004. E, por alguma e estranha razão, me lembra Genocyber... Ótimo post. Até mais!

junior disse...

1987 foi um ano bom tanto para os filmes de terror quanto para as animações de horror

nos filmes tivemos Hellraiser,Brinquedo assassino e phantasm 2

agora nas animações tivemos o Demon City Shinjuku(do mesmo diretor de Wicked city o proprio Wicked City(detalhe que Demon city Shinjuku e Wicked city são os 2 primeiros capítulos de uma trilogia que fala de cidades pecaminosas os 2 primeiros são de horror e o terceiro Cyber city uedo e ação e scy fy)

e logico os segundo e terceiro capitulos da melhor trilogia não oficial de horror de animes: Lily C.A.T e Hell Target(anbos são da Anime Space Horror Trilogy que começou com Root Search)


e tamben as adaptações de Go Nagai super Exploitation


Violence Jack 2; Evil Town
e Devil man the birth

junior disse...

a qual dos citados (por min)nos vamos ver algum dia no Blog?

e outra coisa e que meu revisor( o malkav) esta revisando mais um anime que eu legendei: Hell Target

Kyohei disse...

Ótimo post roberta.

julio pq disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk adorei o post e ri demais na parte do moreno alto, bonito e sensual. Só você mesmo Beta \º/

Sakura disse...

Decada de 80 sim foi um ano decente para o terror nos animes. Os de 90 já não fazem muito minha cabeça apesar de terem seu charme, talvez porque eu goste de algo mais forte.

junior disse...

o importante e que a década de 2000 mesmo tendo ótimos animes e uma merda

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