domingo, 9 de outubro de 2011

Devil Lady: Ela realmente é um Demônio



Hoje não é dia de Maria¹, hoje é dia de comentar pela primeira vez aqui no blog, sobre o mestre Go Nagai, aquele que segundo o blog Mangas Cult, é o "Quentin Tarantino Japonês". Bom, os fãs de Nagai são meio fanáticos, já eu não sou uma grande admiradora do trabalho dele e confesso que só recentemente comecei a conhecer mais intimamente suas obras, já que por alto eu já conheço. Apesar do acentuado tom misógino em suas obras, Nagai artisticamente é tão fantástico como controverso. A trindade “ficção cientifica, horror e erotismo”, são sem dúvidas, sua marca registrada e qualquer série dele que você chegar a ler, encontrará esses gêneros, em menor ou grande escala.


A série escolhida é Devil Lady, não porque eu amei o anime, mas sim porque estou fascinada pelo mangá e também indignada pelo fato de que, dos 17 volumes que a série tem, apenas 01 tem tradução gringa. E apesar das críticas um tanto quanto negativas aos volumes restantes da série, ainda estou com uma enorme vontade de ver com os meus próprios olhos. Devil Lady é um mangá seinen que foi serializado entre janeiro de 1997 e julho de 2000 na revista Weekly Morning (da editora Kodansha). Se trata de um spin-off de um dos mangás mais famosos de Nagai, Devilman, que por sua vez se utiliza de vários conceitos de sua obra anterior a esta: Demon Lord Dante. Esse é o Nagai, se reciclando e autoplagiando, ele é praticamente o CLAMP, do universo sombrio.

Anime

O anime centra-se em Jun Fudo, uma badalada e adorada modelo fotográfica. A premissa não é nada que você já não tenha visto antes em uma série apocalíptica. Jun tem um segredo que não pode contar a ninguém e que transforma sua vida pacata em um verdadeiro show de horrores, ela é portadora dos genes que serão os responsáveis pela próxima etapa da evolução humana – um vírus chamado "Síndrome da Besta Demoníaca". Ou seja, a doce e talentosa Jun, na verdade é um besta demoníaca sanguinária e acaba por descobrir que não é muito diferente dos outros monstros que andam atacando pessoas e aterrorizando a cidade. Mas Jun é especial, ela consegue ter um autocontrole e manter uma tênue ligação com seu lado humano, ao contrário de outras bestas que sucumbem ao desejo de matar e comer carne humana.


Esse lado adormecido em Jun, é acordado por Asuka Lan, funcionaria do alto escalão do governo e comandante da “Aliança Humana”, uma subdivisão militar responsável por caçar e eliminar as pessoas que desenvolvem a estranha doença, ou ao menos é isso que aparenta inicialmente. Asuka obriga Jun a enfrentar seu lado desconhecido, colocando-a frente a frente com uma besta. Tendo que confronta-lo, a Devil Lady  acaba despertando em Jun, que consegue retornar a forma humana logo após conseguir elimina-lo. Agora, ela é alvo de Asuka, que lhe dá duas opções: Se juntar a ela como uma caçadora ou ser caçada até a morte. Inicia-se ai o esqueminha de “monstro da semana”, com o plot central se desenvolvendo lentamente ao fundo.
  
Opinião

Apesar de ser um clichê, a premissa de Devil Lady é bem parecida com a de Elfen Lied, quem teve a oportunidade de ler o mangá, vai notar que além do tema “bem vs mal”, “humanos vs criaturas” e o conflito das protagonistas com o seu lado “animal”, ao final do anime podemos notar os mesmos rumos tomados na trama criada por Lynn Okamoto – eu até diria que o Okamoto se inspirou em Devil Lady, se eu tivesse lido todo o mangá, mas não dá pra afirmar isso tendo em vista que o mangá e sua versão anime divergem bastante.


Devil Lady tem um clima gótico, introspectivo e melancólico, que vai desde sua abertura, ao encerramento com os créditos. De longe, o que mais chama a atenção no anime, é a total falta de humor, é tudo muito sério com uma narrativa adulta e o conceito meio que, parecido com o da série “Vampire Princess Miyu”, é bem intencionado e interessante, porém botam tudo a perder com um anime onde a melhor definição é: TÉDIO. É chato e pra completar, o esquema “monstro da semana” também não contribui. Assistir um anime de 13 episódios com esse esquema, onde 8/13 dos episódios é basicamente isso e sem grande desenvolvimento do plot central é uma coisa, agora imagine ver 23/26 episódios que se consiste nisso. O plot só foi revelado e rapidamente trabalhado nos 3 últimos episódios da série animada e fora isso, uma grande perda de tempo.


Como um todo, o anime é ruim, mas há coisas bem interessantes ali e alguns episódios incrivelmente muito bons. O problema é que se eu for soma-los, cabem todos em uma mão e ainda sobra dois dedos pra enfiar na latinha de leite condensado. E eu adorei a Jun-chan, uma heroína nada convencional, mulher madura e que age como tal. Chegou a me surpreender em diversos momentos. Ela possui uma forte ligação com Kazumi Takiura, a “moçinha indefesa” da série e que é a versão romântica de Miki Makimura, amiga de Akira Fudo em o Devilman. Em Devil Lady não há insinuação lésbica, o que há é um verdadeiro romance lésbico e confesso que minha única motivação em assistir esses episódios, era essas duas personagens –sim, eu amo Yuri.


Como não poderia deixar de ser em se tratando em uma série inspirada em um mangá de Nagai, espere por violência, sangue e nudez, apesar que todos esses termos, estão muito suavizados no anime, mesmo o nú se dá de forma indireta e o sangue e violência não é tão gráfico. Mas AINDA é Nagai e curiosamente, os episódios que mais gostei, possuem o feeling dele presente, mesmo que de forma velada:

- O episódio em que a casa de Kazumi é atacada por devilmans, aquilo sim é um verdadeiro terror psicológico e intenso. Episódio muito bom, com um terror impactante, suspense e drama.


- O episódio em que estudantes são raptadas por um monstrengo com tentáculos (ah, os tentáculos... Juntamente com robôs/personagens em forma gigante, sempre estão presentes nas obras de Nagai – um verdadeiro pervertido)em forma de línguas, que começam a lamber e adentrar em certas regiões do corpo feminino. Tudo implícito, claro, mas era obvio o que estava acontecendo e eu imaginando, “hentai?”, o monstro da semana é um pervertido que gostava de praticas BDSM (Bondage e Disciplina –BD. Dominação e Submissão –DS). Não contive o riso quando vi a Jun, como Devil Lady, lutando com a “serpente” do monstrengo. É! Realmente é uma obra do Nagai.

-E já nos últimos episódios, uma cena de estupro (Ah, Nagai...), mas que surpreendentemente não é chocante, mas sim surpreendente! Alias, a essa altura do campeonato, a trama já era outra completamente diferente do que se viu nos episódios anteriores – mas se eu falar mais, será spoiler gravíssimo.

Manga X Anime

Como eu disse anteriormente, não foi o anime que me levou a escrever esse post e sim o mangá, mas comentar apenas um volume dele seria sacanagem. Há um universo de diferença entre o mangá e o anime. O mangá é muito bem desenhado e sua história bem desenvolvida, porém com bastante sexo visual, violência e gore. No anime, tudo isso é suavizado, apesar de ainda ser uma história sombria. No mangá, Jun é uma professora, que cuida de seu irmão mais novo, enquanto seus pais estão ausentes, nos EUA. A progressão para a síndrome da besta, também se dá de forma diferente. Aqui acontece de forma gradual, com a Jun tendo pesadelos incomuns e constantes. A introdução para o seu lado sombrio, se dá quando ela juntamente com algumas alunas, é atacada por um grupo de demônios, que tenta estupra-la e ai acontece de seu lado “lobisomem” despertar.


E já tocando no assunto, enquanto no anime, os demônios apenas matam as pessoas ou as devoram, no mangá eles saem estuprando as mulheres. Bom, Devil Lady apenas pelo volume 01, já mostra o porque dele ser um mangá tido como, tendo um apelo sexual extremamente forte e violento. Complicado manter isso em uma versão animada, porém, o resultado de todos os cortes feitos da versão original é extremamente doloroso de se ver. Talvez, nesse caso seria melhor nem ter havido uma “adaptação”. Os monstros do anime, brotam do nada e para lugar nenhum, abusam do estereotipo e como resultado, temos um grande filler de 26 episódios, onde da versão original, apenas as personagens Jun e Asuka, foram aproveitadas, o resto só existe no anime, assim como Kazumi.


O lado mais revoltante, nem é as personagens em alguns momentos não terem mamilos, o que a fazem parecer bonecas, mas sim o fato de terem desaparecidos com corpo peludo da Devil Lady, já que no anime as marcas em seu corpo, se parecem mais com tatuagens que pelos. A aparência de Jun, também se torna muito mais comum, enquanto no mangá a arte de Nagai não é “bonita”, mas tem contornos artísticos incríveis, fora que denota toda a personalidade da Jun a tornando única. Comercialmente pode não ser atraente, mas o traço do Nagai é belíssimo e bem característico.

Conclusão

Conteúdo original a parte, o anime chega a ser em vários momentos, tenebroso e obscuro. A animação é ruim, se tratando de um anime produzido em 1998, ao vê-lo, tive a impressão de estar assistindo um anime de horror da década de 80. A OST é boa, apesar de ser basicamente orquestral. Os personagens, em sua maioria são esquecíveis, mas a Jun e a Asuka são legais. A história, como não poderia deixar de ser, é triste. Num contexto geral, um anime muito mal dirigido, ao qual teve sua produção pelo estúdio TMS. Fosse 13 episódios, funcionaria melhor. E eu quero ler o volume 02 do mangá.

Ano: 1998/1999
Tipo: TV
Diretor: Toshiki Hirano
Estúdio: TMS
Episódios: 26
Gênero: Ação, Horror, Sobrenatural, Drama

18 comentários :

Accelerator disse...

Interessante o manga , só não vou ler por que não gosto de estupro e abusos de gore -__-
Eu nunca li nenhum manga do Nagai mas o cara realmente parece um mestre das piores coisas do mundo que nem o Kitsune disse .
E OMG! O que são aqueles insetos ? O_o

Augusto disse...

Os insetos saindo da boca dela são de arrepiar e olha que eu nem assisti. Nagai é bizarro, é o Nelson Rodrigues do horror. Agora que vc falou sobre até Devil Lady, tenho fé de ver comentários sobre Violence Jack. Se não leu, te aconselho a olhar o mangá, muito mais insano que o anime.

Acerca do mangá de Devil Lady, ele é completamente diferente do anime mesmo e por isso não assisti e nem vou. O anime só pega a premissa, a Jun e a Asuka e pronto, descartam todo o resto. Por isso foi uma bomba. E infelizmente o mangá está a passos lentos em sua tradução.

junior disse...

como o menino augusto disse roberta podemos esperar posts sobre Devilman e Violence Jack(principalmente o segundo OVA Evil Town que eu amo)???


esse mes do Halloween ta porreta(olha as gírias da década quer minha vo era Lolita)

junior disse...

esqueceu de falar do YURI

jonhmaster disse...

Eu vi essa serie realmente bem interessante gosto bastante de personagens demônios, qualquer dia deste faço um ritual para invocar um diabinha loli para brincar comigo.

Soneca disse...

Eis uma série que ficarei longe. Provavelmente deve ser realmente uma série excelente, mas se eu não odiasse cenas fortes, eu até veria.
O meu máximo é a cena da criança do episódio 2 de Fate/Zero, e olha lá. Passe a noite inteira em estado de choque, mesmo depois de ver Bakuman.
Por que eu sempre esqueço quem é Gen Urobuchi? -_-

Kyohei disse...

Tá ai um que eu já conheço, ainda prefiro o devilman, mas ainda assim é de sentir frio na espinha! Tem cada monstro escroto aí...

julio pq disse...

A Beta podia falar sobre Devilman e Violence Jack mesmo, seria uma ótima. Devil Lady eu não gostei muito não, mas verdade que tem cenas assustadoras e imagina se tivessem seguido o original? Acho que poucos teriam estomago pra ver. E esse episodio ai do monstro de tentaculos, é o 13 e também pensei a mesma coisa que você. Ainda fiquei na dúvida nos primeiros instantes, mas parece que não fui o unico a perceber ^^

junior disse...

todo mundo prefere Devilman que devillady(pelo menos a maioria),

mas os 3 animes/mangas do Go Nagai que a roberta podia falar
-Devilman
-Violence Jack
-Demmon Prince enmma

junior disse...

@jonhmaster

vai que aparece um demônio afrodescendente de uns 2 metros de altura e mais musculoso que o Stallone

LaLa-chan disse...

Será que eu teria coragem de ver algo assim? kkkkkkkkkkkkkkk pra mim teria que ser algo mais light

jonhmaster disse...

Entenda uma coisa junior no mundo moe músculos não existem. So existem garotas fofas, protagonistas bundões e meninas psicopatas.

junior disse...

John eu não falei no mundo moe(moe e um saco) eu falei de demônios

junior disse...

mais uma jhon devil lady não e do mundo moe,e do mundo de GO nagai e no mundo dele existe muitos musculos sim,veja violence jack

Slam Dunk disse...

essa merdas de moe que acabam com os animes. É como o Junior disse, no mundo de Go Nagai não existe essas porras, tem muito musculo, sangue e escrotidão.

jonhmaster disse...

Assim se você não gosta de moe tudo bem é seu gosto e não irei discutir sobre isso.

Porem não é o moe que estraga um anime e sim uma pessima historia e um pessimo desenvolvimento que estragam qualquer obra se o moe estraga-se obras elfen lied seria ruim e outras historias seriam tambem.

Slam Dunk a sua opinião não tem argumentos suficientes para provar que é o moe que estraga o anime, sinceramente se não gosta de moe não veja porem o moe não estraga o anime.

junior disse...

no mundo de GO Nagai so existe tripas,mortes,demonios,esturpros,lesbicas,tarados,assasinos,ninjas violentos,samurais mais violentos ainda,ninfomaniacas,e trasheira pura

Megumi Poison Vampire disse...

Concordo com o John,o que estraga um anime não é o moe,e sim a história,os personagens,e o desenvolvimento.Elfen Lied tem muito moe,e todo mundo aqui gosta.

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