sábado, 27 de dezembro de 2014

12 Dias de Anime – #07: O Fim da Jornada de Punpun


12 dias de animes é uma iniciativa do The Cart Driver, até onde eu sei, embora vários modelos desta postagem povoando o blogging americano neste período do ano. Consiste-se em listar 12 momentos marcantes OU NÃO que representam cada mês do ano relacionado a anime, que acabou se tornando algo que vale a pena ser relembrado, seja por qualquer motivo, no ano em questão. Sim, é basicamente uma retrospectiva pessoal. O legal deste padrão de postagem é que se trata de um modelo bem aberto e adaptável à necessidade de cada um. Portanto, meus 12 dias de animes começa agora e termina dia 1º. Não sei se vai sair algo de interessante daqui, porque até o presente momento que estou escrevendo esta introdução, nem sequer fiz uma lista prévia e tenho a ligeira impressão que 2014 foi meu pior ano relacionado a anime; não li muitos mangás, muito menos light novels ou visual novels ou doramas, nem muitos filmes japoneses e tampouco consegui maratonar animes antigos (e ainda por cima atrasei nos atuais). Bora lá então ver o que sai disto, buscarei ser o mais sincera possível, ilustrando 12 acontecimentos que dão forma ao meu 2014.
Não me lembro de ter acompanhado um mangá em andamento que tenha mexido tanto comigo quanto Oyasumi Punpun. Não que eu tenha acompanhado tantos assim – eu sou péssima em ler mangá seriado periodicamente (mesmo os lançados em nossas bancas, sempre deixo acumular pra ler depois), eu acredito que se perde muito da experiência em ler determinados mangás a conta-gotas. Claro que há exceções, como os semanais da JUMP, por exemplo. Eles saem toda semana e ao menos para boa parte deles há traduções quase que simultâneas. Parece-me que parte da experiência em ler estes mangás está no seu formato folhetinesco que torna ideal para os seus leitores discutirem o capítulo da semana uns com os outros, e o pouco espaço de tempo entre um e outro faz com que as memórias do capitulo anterior ainda estejam bem vivas e o sentimento deixado ainda quente dentro do peito. Mas o que dizer de mangás que saem quase que anualmente? Ou daqueles nos quais as traduções não acompanham o seu ritmo de lançamento?

Obviamente não acompanho Punpun desde o seu lançamento, lá em 2007. A primeira vez que ouvi falar sobre deve ter sido lá por meados de 2010 ou 2011 (não me lembro com exatidão), através de pessoas virtualmente próximas como @paninomanino e @nintakun. Em 2012 ele se tornou uma febre na minha timeline do twitter, o que me impulsionou a lê-lo junto com todos, pois às vezes acontece essas coisas onde todo mundo do seu círculo está falando sobre um assunto e você meio que também quer fazer parte daquela experiência e inconscientemente ou conscientemente é levado pela onda. Todos os mangás em andamento que pego para ler acabo abandonando no meio do caminho (seja para ler mais tarde ou nunca mais). Com Punpun isso não ocorreu porque eu temia os spoilers e a história mexia tanto comigo que eu não conseguiria esperar o seu encerramento. Ainda assim, a tradução do mangá ocorria tão periodicamente (sempre quando era lançamento o volume) que eu tinha que ler todos os volumes anteriores novamente para então encarar o novo recém-lançado. Não foi realmente um problema, pois era dolorosamente prazeroso e a cada releitura eu sempre pegava novos detalhes que haviam passado despercebido da primeira vez. Ler Punpun é uma experiência que exige muito do seu emocional, e pode se tornar psicologicamente desgastante, então é natural que na primeira leitura você acabe não se atendo a muitos detalhes menores da narrativa, que por não serem óbvios, passam despercebidos. Além do mais, com Punpun eu gostava sempre de começar a ler já com uma atmosfera formada em torno de mim, por isso a releitura me era muito importante. O que eu fazia era quase que um ritual, deixava para ler sempre nas madrugadas, quando tinha certeza que não seria interrompida e poderia estar em paz com minhas emoções.

Falando assim, até parece que passei anos e anos nisso, mas não. Foi bem pouco tempo, e ainda assim quando peguei o último volume para ler em Janeiro de 2014, parecia que eu estava nisto ha tempos. Fui tomada por grande ansiedade e nervosismo. A minha sensação é a de ter lido o último volume em um folego só e ao final eu me encontrava completamente destruída por dentro. Foi difícil dizer Adeus e aceitar tudo o que aconteceu e me resignar. Era como se aqueles personagens fossem pessoas reais, tamanho sua humanidade. Eu fiquei revoltada com Punpun, senti que a Aiko fora injustiçada e internamente gritava que ele não deveria esquecê-la, jamais, nem sequer superá-la, nunca, nunca, nunca e incialmente não entendi bem qual era o proposito do núcleo psicótico naquele desfecho. Essas coisas que passam pelas nossas cabeças quando perdemos algo e entramos em estado de negação até podermos aceitar tudo o que ocorreu. Como @AntonioLeeDesu comentou no twitter, não importava qual fosse o final, as pessoas nunca se sentiriam plenamente satisfeitas porque suas expectativas eram altas demais para que pudessem se realizar. Depois de todas as teorias absurdas que eu vi sobre, fui para o volume final realmente esperando de tudo, inclusivo coisas altamente fantasiosas, mas o que vi foi um final humano e pungente, coerente com tudo que havíamos visto antes. Precisei de um tempo para me recuperar e chegar a essa conclusão. A morte na ficção quase nunca funciona tão bem quando utilizada como um fim apenas, sua força está em ser um meio. E é por isso que eu gostei de como tudo acabou.

Antes de Punpun, eu já havia acompanhado parte da serialização de xxxHOLiC e Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE. Tsubasa estava tão intenso e envolvente que eu contava os dias para um novo capítulo, minha fome era animal. Mas Punpun foi certamente a minha experiência mais marcante em acompanhar mangás em lançamento pela frisson da esperava, e também uma das minhas melhores leituras. Ainda dói um pouco sempre que folheio as últimas páginas. 

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